quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Erra por muito quem aposta na falta de memória da população

Erra por muito quem aposta na falta de memória da população, ainda mais quando se trata de gente apaixonada por sua terra, como são os caruaruenses. O nosso povo deixa de lado quem não trabalha, quem não constrói, e repudia quem tenta apagar as ações que promovem a cultura e enaltecem o valor de Caruaru. O Memorial da Feira, por exemplo, sofreu sete anos de total abandono pela gestão passada. Mas, em 17 de dezembro de 2009, a menos de um ano do terceiro mandato do Prefeito José Queiroz, o espaço foi reinaugurado. Hoje, os turistas, os estudantes e os caruaruenses têm um lugar certo para o reencontro com a história da cidade.
A Casa de Cultura José Condé foi encontrada pelo governo atual sem condições de funcionamento. Só um vigilante trabalhava no local, tomado por infiltrações, mofo, rede elétrica interna imprestável e estrutura física comprometida. Em 2011, foram gastos mais de R$ 150.000,00 para reformar o prédio e colocá-lo à altura de abrigar o Pontão de Cultura e os diversos grupos artísticos que utilizam suas instalações.
O caso da Biblioteca Municipal é outro testemunho do descaso e do desrespeito com a nossa cultura. Livros raros e o acervo bibliográfico de Álvaro Lins, gentilmente doado pela família a Caruaru, foram abandonados às traças, em úmido e inadequado local na Estação Ferroviária. Foram anos e anos sem que importantes produções científicas e literárias fossem utilizadas por pesquisadores e estudantes. No novo espaço, inaugurado no terceiro mandato do prefeito José Queiroz, as obras ficaram abrigadas e protegidas. Em ambiente climatizado e adequado, estão disponíveis para consulta. Houve, porém, o cuidado de deixar, no interior da nova biblioteca, um registro fotográfico das condições em que o acervo bibliográfico foi deixado. Uma memória necessária.
Talvez por falta de assunto, os “promotores” da cultura atacam a ampliação do Pátio de Eventos Luiz Gonzaga. Mesmo tendo a Prefeitura construído uma nova cidade cenográfica na Estação Ferroviária e mesmo comprovado em pesquisas a satisfação dos caruaruenses e dos turistas com o aumento da área do São João, os detratores da Fundação de Cultura “denunciam” a destruição da antiga Vila do Forró.
O mesmo formato irracional de ataque se dá na questão do Alto do Moura. A cobrança é sobre a demora na implantação de um projeto que dê a dimensão de sítio histórico-cultural à vila que abriga a gastronomia regional, o artesanato do barro e a memória do Mestre Vitalino. A reivindicação faz sentido, e será atendida, mas não pode ser vocalizada pelos que poderiam ter feito muito na localidade e nada realizaram quando tiveram a oportunidade.
Ainda este mês, a Prefeitura promoverá a Conferência Municipal de Cultura, momento fundador de um projeto geral para a promoção artística na cidade. A perspectiva é de uma virada de página na direção de planejar ações sintonizadas com os novos tempos de Caruaru e do Brasil. Isso tudo com ampla e irrestrita participação de artistas, músicos, intelectuais e promotores da cultura.
Esse novo momento dará direção ao trabalho da Fundação de Cultura e implicará projetos e calendários permanentes de eventos nas mais diferentes áreas da criação artística. A juventude ávida por expressão somará sua energia com a experiência dos profissionais e dos que fazem da resistência cultural uma profissão de fé e um exemplo de vida.
A expectativa é de novos tempos, com mais produção, mais alegria e mais movimento em toda Caruaru. Essa nova etapa reservará suas maiores recompensas e reconhecimento para quem quer servir à nossa população. Aqueles que perderam o bonde da história e, hoje, só destilam um criticismo áspero e ressentido, ficarão relegados àquele tipo de memória que todos preferimos não trazer de volta, mas cuidamos para que não mais se repita.
*Djair Vasconcelos- Diretor de Cultura da Fundação de Cultura de Caruaru

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