O Brasil era ainda uma colônia e Pernambuco, uma capitania. Os portugueses chegaram aqui no começo do século XVI para extrair, entre outras coisas, o pau-brasil, do qual se tirava excelente corante vermelho e uma madeira nobre, de boa resistência. Depois, foi o açúcar. A terra era muito rica, como bem disse Pero Vaz de Caminha. Para que essa riqueza não caísse em mãos erradas, dos franceses, por exemplo, o jeito foi colonizar. Navios e mais navios chegaram à terra e do litoral para a zona das matas, foi um pulo....
É assim que começa a história da "Maior feira ao ar livre do Mundo"!
E no domingo, 18, uma equipe da TV Diário, de Fortaleza, Ceará vieram a Caruaru para produzir um documentário para o programa "Memória do Nordeste". Além da Feira no Pátio 18 de maio, vários pontos turísticos da cidade foram filmados e o professor Josué Euzébio concluiu a matéria com uma entrevista sobre o tema.
O programa vai ser exibido na próxima terça-feira.
O programa é apresentado e dirigido por Simone Morais e produzido por Juliana Queiroz, que fez contato com a Diretoria de Ações Culturais para que fosse possibilitado o apoio na reportagem.
CONTINUANDO A HISTÓRIA DA FEIRA...
Nessa época, Caruaru não existia, era apenas um bom trecho de terra no caminho que ia até o sertão, habitado por índios.
O que hoje se conhece como Caruaru começou tomar forma em 1681, quando o governador Aires de Souza de Castro, em 02 de junho, concedeu à família Rodrigues de Sá uma “sesmaria” com 30 léguas de extensão, à margem esquerda do Ipojuca. Mas a família só viria se instalar aqui, vinda do Recife, no final do século XVII e a Fazenda (do) Caruru, que foi o início de tudo, foi fundada logo depois, por Simão Rodrigues de Sá.
Em 1754, registra o professor Josué Euzébio Ferreira, Simão Rodrigues Duro, filho de Simão Rodrigues de Sá, casou-se com Antônia Thereza de Jesus, filha dos fundadores do sítio de Altinho. Tiveram três filhos: Joaquina Rodrigues de Jesus, JOSÉ RODRIGUES DE JESUS e Maria Conceição de Jesus. Após a morte dos pais, os irmãos foram morar na fazenda Juriti, ficando a Fazenda Caruru abandonada.
Em 1776, José Rodrigues de Jesus decidiu voltar para a fazenda do pai, casando-se em 1781 com uma sobrinha, Maria do Rosário Nunes, filha de Manoel da Silva e Joaquina Rodrigues de Jesus, numa união que até hoje têm descendentes na nossa cidade.
Pouco depois, a fazenda Caruru ganhava uma capela, dedicada à Nossa Senhora da Conceição, e uma pequena povoação começou a se formar dentro do terreno pertencente à fazenda, sendo administrada por José Rodrigues de Jesus até sua morte, em 1820, aos 64 anos de idade, sendo considerado o fundador de Caruaru pois foi de sua fazenda que nasceu a cidade.
De Vila a Cidade
Caruaru se tornou cidade, a primeira do Agreste pernambucano, pelo projeto nº 20, do deputado provincial Francisco de Paula Baptista (1811-1881), defendido em primeira discussão em 03 de abril de 1857 e tornado realidade, depois de aprovação sem debate, em 18 de maio daquele mesmo ano, com a assinatura da Lei Provincial nº 416, pelo vice-presidente da província de Pernambuco, Joaquim Pires Machado Portela.
Ao longo das décadas, a cidade cresceu e a antiga Vila do Caruru hoje é conhecida por vários títulos, como “Capital do Agreste”, “Capital do Forró”, “Princesa do Agreste”, dentre outros, dando a dimensão de sua importância política-econômica no cenário estadual.
A cultura não é menos rica. Caruaru é um reconhecidamente um celeiro de artistas. Foi em suas terras que nasceram músicos, escritores, poetas e artesãos, como Vitalino, que projetaram Caruaru para o mundo. Foi aqui que nasceram personalidades como os irmãos escritores Condé, Álvaro Lins, Austregésilo de Athayde. Até uma banda de pífanos feminina tem em Caruaru.
E a maior festa popular em dias consecutivos do país, que é o São João de Caruaru, com seus 30 dias de festa ininterrupta? No ano passado, um milhão e meio de pessoas brincaram o Maior e Melhor São João do Mundo, que pela sua autenticidade e espontaneidade constitui um dos eventos mais conhecidos do país, também colaborando para o impulsionamento do turismo e economia locais.
Os índios estavam certos. Caruaru é mesmo a terra da abundância. Viva Caruaru em seus 147 anos.
CRONOLOGIA
1811 - As terras caruaruenses desmembraram-se do Município de Olinda. Passou a pertencer ao Município de Santo Antão (Povoação de Caruaru).
1833 - O Distrito de Caruaru foi desmembrado do Município de Santo Antão para o Município de Bonito.
1848 - Caruaru, desmembrando se do Bonito, constituiu-se em Vila de Caruaru, através da Lei Provincial nº 212, de 16 de agosto daquele ano.
16 de setembro de 1849 – Instalação da primeira Câmara de Vereadores, através do Presidente da Câmara da cidade do Bonito, Francisco Xavier de Lima. No Império, os municípios não tinham autonomia administrativa, todos eram dependentes das Assembleias Legislativas Provinciais. Até a Emancipação, Caruaru era dirigida pela Câmara que legislava e administrava a cidade, sem direito a escolher o seu dirigente máximo.
18 de maio de 1857 - A Vila de Caruaru ganhou o predicamento de cidade, sendo considerada a primeira cidade do sertão pernambucano. Caruaru continuava sem independência e subordinada aos poderes da Assembleia Legislativa Provincial e da Presidência da Província. A elevação á categoria de cidade era apenas uma simples mudança de nome, sem nenhum efeito político.
15 de novembro de 1889 - A Câmara Municipal é dissolvida e em seguida é criada a Intendência Municipal, porém sem autonomia. Fim do Império e Proclamação da República Brasileira.
17 de junho de 1891 - Promulgada a Constituição de Pernambuco.
30 de setembro de 1891 - Acontecem eleições municipais em todo o Estado de Pernambuco, a primeira realizada no regime republicano.
3 de novembro de 1891 - O Congresso é dissolvido por Deodoro da Fonseca
18 de dezembro de 1891 - Dissolvido o Congresso do Estado
23 de dezembro de 1891 - Dissolvido os Conselhos Municipais
24 de dezembro de 1891 - São cassados os mandatos do Prefeito e Sub-Prefeito
26 de dezembro de 1891 - A Junta Militar designava o dia 21 de janeiro de 1892 para realização de eleições para Prefeito, Sub-Prefeito e Conselheiros Municipais.
20 de janeiro de 1892 - A Junta Militar demite todos os membros do Conselho Municipal.
21 de janeiro de 1892 - Realizam-se as eleições.
18 de fevereiro de 1892 - A Junta Militar estabelece o dia 25 de março para a posse geral dos Prefeitos, Sub-Prefeitos e Conselheiros Municipais.
25 de março de 1892 – Solene posse dos eleitos em 21 de fevereiro para a regência do Município em regime constitucional com emancipação política e autonomia administrativa, de fato e de direito.
20 de abril de 1892 - Alexandre José Barbosa Lima é eleito por voto indireto Governador constitucional de Pernambuco.
10 de julho de 1892 - À revelia do governo estadual era instalada uma Comissão Municipal de Caruaru, com pretensões de órgão executivo. Ao tomar conhecimento do fato, o governador baixou um ato dissolvendo o seu Conselho Municipal e a tal ‘comissão’, bem como destituindo de seus cargos o Prefeito e o Sub-Prefeito. Era o fim da primeira Prefeitura Municipal de Caruaru, cuja autonomia e cuja emancipação política desapareciam, melancolicamente, por encanto (5 meses após a posse dos eleitos).
03 de agosto de 1892 - O Congresso Estadual decide emancipar politicamente os Municípios, decretando e promulgando a Lei nº 52 (Lei Orgânica dos Municípios). O mandato do Prefeito, Sub-Prefeito e Conselheiros Municipais seria trienal.
15 de agosto de 1892 - O governador resolve dissolver todas as Prefeituras e todos os Conselhos Municipais do Estado. Com esse ato, desapareceria, mais uma vez, a emancipação política de todos os municípios. No mesmo decreto, de 15 de agosto, era designado o dia 30 de setembro de 1892 para nos termos previstos na Lei nº 52, procederem-se, em todo Estado, eleições livres e democráticas, para os postos de Prefeito, Sub-Prefeito e Conselheiros Municipais.
8 de novembro de 1892 - Era instalado o Conselho Municipal de Caruaru. Também foram empossados o Prefeito e o Sub-Prefeito, porém não havia ainda a autonomia municipal, pois antes a Prefeitura Municipal de Caruaru teria de ser devidamente instalada, como determinava a Lei nº 52.
1º de março de 1893 - Reuniu-se o Conselho Municipal de Caruaru em Sessão Extraordinária para receber o Prefeito eleito, João Salvador dos Santos, que declarava que de acordo com a Constituição Política do Estado e a Lei Estadual nº 52, estava instalado e constituído o Município de Caruaru, começando assim a funcionar legalmente a sua Prefeitura Municipal. Cumpridas assim todas as formalidades da lei, Caruaru em definitivo transformava-se em Município autônomo, com Prefeitura Municipal em funcionamento legal e com a tão almejada emancipação política em vigor.





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