Diretor esclarece as preparações para Conferência Municipal de Cultura, além de adiantar que está sendo concluído um projeto para tornar a Estação Ferroviária em um Polo Cultural e não um amontoado de bares
Dja Vasconcelos,
Diretor de Ações Culturais de Caruaru
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| "Eu acredito no evento como resultado de uma produção,
mas quando o evento se encerra nele mesmo, é uma festa"
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DJA VASCONCELOS – Estamos preparando a documentação. Já estão ocorrendo as Conferências Livres (iniciadas pelas categorias), para que a Conferência atenda a todos os critérios do Governo Estadual e do Governo Federal, para também haver um recurso direto com o Ministério, a partir dessas políticas que estão sendo desenvolvidas. Nós fizemos a II Conferência em 2010. Em 2012, por conta das Eleições, decidimos não fazer a Conferência. Isso terminou dando certo, pois o Governo Federal baixou decreto que as Conferências Livres seriam feitas em 2013 para poder aderir ao Sistema. Então, se tivéssemos realizado a Conferência no ano passado, teríamos de realizá-la novamente.
A Conferência existe para que a classe artística, de vários segmentos, exponha o que pensa sobre a Política Cultural, agregando itens e apontando erros e acertos. Essa é uma discussão ampla, mas necessária, pois o processo de auto-avaliação do poder público se dá com a participação das classes, opinando como as políticas públicas devem acontecer. Dessa Conferência, serão tirados delegados municipais para a Conferência Estadual. Da Conferência Estadual, serão tirados delegados para a Conferência Nacional em novembro. Quanto maior o número de participantes, maior o número de delegados e, posteriormente, maior poder de defesa dos itens elencados pelas classes, para que sejam atendidos da melhor forma possível. Nós, de partidos de esquerda, acreditamos que a política é feita em parceria com a sociedade civil. Esse diálogo faz a administração acertar mais do que errar, pois as decisões são tomadas em conjunto, com toda a sociedade, e não isoladas.
JORNAL EXTRA – O que são as Conferências Livres, que estão em andamento? Como funcionam?
DJA VASCONCELOS – Diferentemente das Pré-Conferências, que são organizadas pelo poder público, as Conferências Livres são desenvolvidas pela sociedade civil, e um membro da comissão organizadora tem de participar [da Conferência Municipal] para trazer o que foi discutido. Não há interferência direta do poder público. É tão livre que a possibilidade da leitura é dinâmica.
Nos dias 9 e 10 de agosto, na Fafica, serão discutidos os temas debatidos nessas Conferências Livres. Em cada Conferência Livre, serão levantadas cinco reivindicações para a Conferência Municipal. Já foram feitas as conferências livres do Público Alternativo, do Sistema Nacional de Cultura, Cultura Popular, Audiovisual, Literatura. No dia 28 será a Conferência Livre sobre Capoeira, no dia 29 sobre Música. Então, tudo isso aí vai sendo discutido.
JORNAL EXTRA – Também está em criação o Sistema Municipal de Cultura. Como está ocorrendo este processo?
DJA VASCONCELOS – Há eixos temáticos apresentados nacionalmente, que norteiam a discussão na Conferência. A produção simbólica e a diversidade cultural; Cidadania e direitos culturais; Cultura e desenvolvimento; e implementação do Sistema Nacional de Cultura. Esses são os quatro eixos principais, a partir dos quais são criados subeixos por cada leitura cultural. A discussão ocorre nos grupos de trabalho e em seguida será feita a avaliação total.
JORNAL EXTRA – Percebe-se dificuldade na aquisição de apoio cultural na Fundação de Cultura. Inclusive, deparamo-nos com organizadores de um evento que ocorreu em abril e até agora não recebeu o valor prometido pela Fundação. Como sanar entraves dessa natureza?
DJA VASCONCELOS – Na realidade, há algumas coisas que se atrasam por questão de documentação, mesmo. Outras, porque o direcionamento não foi feito da forma correta. Nada melhor do que criar um Fundo Municipal de Cultura. Aí deixa de ser uma relação pessoal com a diretoria de Cultura, ou com a Fundação, mas cria-se um Conselho que discute os projetos para serem aprovados e receber os recursos do Fundo, promovendo uma maior democratização. Essa discussão passa a ser mais ampla, não fica a cargo de duas ou três pessoas. Obviamente, não quer dizer que a Fundação deixe de apoiar projetos que ela considere importantes, fora o Fundo de Cultura.
JORNAL EXTRA – Há a necessidade de ressignificar alguns espaços, a exemplo da Estação Ferroviária – que até tentou ser chamada de Polo Cultural de Caruaru, mas não funcionou até agora. Que projetos estão sendo desenvolvidos nessa área?
DJA VASCONCELOS – Essa foi uma problemática. Em 2011 e 2012 foram cometidos alguns equívocos. Portanto, estou terminando esta semana um projeto para apresentar ao presidente, André Alexei, rediscutindo todo aquele espaço, para torná-lo, realmente, um Polo Cultural. Não queremos transformar ali em um espaço de bares, mas sim em um espaço cultural. Isso inclui o teatro, os artistas da música, o mamulengo, os folguedos, para que a população saiba que segmentos serão apresentados ali em determinada data. As pessoas que forem ocupar esses espaços na Estação Ferroviária têm de assinar um Termo de Compromisso com as decisões tomadas na Fundação, junto ao presidente da Fundação e ao prefeito. A partir da criação efetiva do Polo Cultural, aí sim os bares poderão funcionar. Os bares e restaurantes são necessários, também, para tornar o ambiente mais aconchegante, mas ali será um polo cultural e não gastronômico.
JORNAL EXTRA – Há, em Caruaru, a necessidade de diferenciar evento de cultura. O que o senhor pensa sobre isso?
DJA VASCONCELOS – O evento é algo importante, sim, mas a Diretoria se preocupa mais com a formação e com a cidadania. Para isso, é necessário entrar em ação com a Educação. Não há como separar. A Secretaria de Educação vê com bons olhos essas parcerias, que funcionam muito bem, nas escolas em tempo integral. No fim do ano, deveremos realizar uma mostra de curtas de animação das escolas do município. Eu acredito no evento como resultado de uma produção, mas quando o evento se encerra nele mesmo, é uma festa, traz recursos, mas é uma ação turística e não política permanente de cultura.
JORNAL EXTRA – Quando o secretário André Alexei foi colocado para gerir, interinamente, a Fundação de Cultura, ocorreram críticas devido a ele ser um quadro técnico, administrativo, mas desvencilhado dos segmentos culturais. Como o senhor avalia a atuação dele nesse cargo?
DJA VASCONCELOS – Desde antes, muitas definições da diretoria de Cultura eram tratadas com Alexei enquanto secretário da Fazenda, como o Auto de Natal que realizamos na área rural de Caruaru, o que, de certa forma, fez com que ele tivesse um acompanhamento indireto do que é feito pela Diretoria. Ele é uma ‘cabeça tranquila’, sensível à questão cultural. Não há qualquer travamento, o que facilita muito o andamento. A relação já existia, já era sadia, transparente, arejada. Evidentemente, que ele é um técnico. Apesar de ser economista, ele não se prende só aos números, mas percebe a relação humana, que se dá pela cultura. A cultura é um meio de relação humana muito bonito, poético até, enfeitando ainda mais o belo. Ele tem essa sensibilidade.
JORNAL EXTRA – Como o senhor define o perfil de seu trabalho na Fundação?
DJA VASCONCELOS – A gente tem desenvolvido uma política voltada às ações relacionadas à Educação. A Diretoria tem vários projetos, em parceria com a Secretaria de Educação e com a Universidade Federal de Pernambuco, por exemplo. São projetos que estão ocorrendo há vários anos. No Presídio Juiz Plácido de Souza, com ações de teatro e dança, coordenadas pelo ator José Carlos. Temos parceria com o Boi Tira Teima. Além disso, temos feito oficinas relacionadas ao bem cultural imaterial de Caruaru. Até agora, foram feitas mais de 20 oficinas, ligadas à Feira, mas também ao associativismo, ao meio ambiente e outros temas, bem como oficinas de dança, de áudio, de cinema, de fotografia, de música, de captação de recursos etc. O direcionamento da Diretoria de Cultura é relacionado à Educação, ao longo dos anos. Evidentemente, essas ações não chamam tanto a atenção como os eventos, em si, mas irão gerar frutos no decorrer dos anos. Um aluno de oficina de cinema, por exemplo, estará inserido nesse contexto daqui a quatro ou cinco anos, fazendo animações ou outras produções. Tudo isso são políticas permanentes de cultura, desenvolvidas pela Diretoria, com apoio da Fundação como um todo.
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