
JORNAL EXTRA – A senhora tem percorrido parte do Nordeste para trabalhar questões referentes ao SNC. Como tem sido essa experiência?
VÂNIA BRAYNER – Eu sou consultora do SNC para Alagoas e Pernambuco. O Ministério tem uma parceria com a Unesco e a Regional Nordeste – que, fora Sergipe e Bahia, atua nos estados do Nordeste – tem três consultores, dos quais sou um, além de Cris Vale, que atua no Maranhão e no Piauí e o Renato Remígio, que atua no Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. O que eu tenho visto e, a partir das conversas com nossos colegas, é uma realidade cultural bastante explícita na Conferência Nacional de Cultura, quando as delegações do Nordeste se reuniram para discutir as propostas prioritárias da região. O interessante foi que quase todas as propostas apresentadas, de certa forma, coincidiram. Isso significa que há uma realidade que não é única, mas é parecida, entre os diversos estados.
Em Pernambuco e Alagoas, posso dizer que os municípios de Pernambuco têm caminhado bem, principalmente após a Conferência Nacional de Cultura. Ao inserir-se no SNC, os municípios e os estados passam a ter obrigações, bem como o Governo Federal tem obrigações nesse sistema, que é uma proposta de gestão compartilhada de políticas públicas. O que percebo é que nos municípios há grandes dificuldades de organização, pois o que o Sistema propõe, mesmo, é a institucionalização, uma melhor organização da cultura. Os municípios não têm planos, não sabem o que fazer. O SNC vem para trazer essas propostas.
JORNAL EXTRA – A predominância de uma postura de adoção de políticas de governo em detrimento de políticas de Estado pode ser considerado um fator histórico preponderante para a existência desses entraves?
JORNAL EXTRA – Muitos criticam Caruaru, argumentando que a prática de promover eventos e não Cultura, efetivamente, é predominante na cidade. A senhora acha que Caruaru está atrasada com relação a esse aspecto?
VÂNIA BRAYNER – Não posso dizer que Caruaru está atrasada porque, na realidade, essa não é uma realidade de Caruaru, essa é uma realidade do Brasil. Os municípios e os estados construíram suas políticas públicas culturais em torno dos eventos. Temos de tirar da cabeça a ideia de que política cultural é feita para artista. A política cultural é feita para a sociedade. Quando começarmos a pensar assim, ganharemos força.
JORNAL EXTRA – Os artistas, muitas vezes, ficam reclamando e querendo benesses do governo. Eles deveriam se organizar melhor?
JORNAL EXTRA – Na terça-feira 25, a senhora se reuniu com artistas em Caruaru. Que avaliação faz desse encontro?
VÂNIA BRAYNER – Eu, realmente, tive uma grata surpresa. Para mim, Caruaru é um fenômeno no sentido de mobilização. Antes da Conferência, Caruaru era meio silenciosa, entre as cidades do Agreste. No processo da Conferência, Caruaru foi um crescente bastante perceptível. Os artistas, na reunião, mostraram-se engajados, querendo mudar a situação. A Fundação de Cultura teve um papel importante nesse processo. O prefeito assinou a lei do Sistema Municipal de Cultura, se abrindo para que a sociedade participe e opine, mostra que ele também quer mudar algo. No futuro, o Conselho Municipal de Cultura poderá, por exemplo, opinar e definir a programação do São João. Isso é fundamental para garantir a inclusão da diversidade e aumento da qualidade dessa grande festa, que é importante do ponto de vista cultural. Mas isso está acontecendo no Brasil inteiro, as pessoas estão começando a perceber que têm um papel importante.
VÂNIA BRAYNER – Eu, realmente, tive uma grata surpresa. Para mim, Caruaru é um fenômeno no sentido de mobilização. Antes da Conferência, Caruaru era meio silenciosa, entre as cidades do Agreste. No processo da Conferência, Caruaru foi um crescente bastante perceptível. Os artistas, na reunião, mostraram-se engajados, querendo mudar a situação. A Fundação de Cultura teve um papel importante nesse processo. O prefeito assinou a lei do Sistema Municipal de Cultura, se abrindo para que a sociedade participe e opine, mostra que ele também quer mudar algo. No futuro, o Conselho Municipal de Cultura poderá, por exemplo, opinar e definir a programação do São João. Isso é fundamental para garantir a inclusão da diversidade e aumento da qualidade dessa grande festa, que é importante do ponto de vista cultural. Mas isso está acontecendo no Brasil inteiro, as pessoas estão começando a perceber que têm um papel importante.
Publicada na edição 525 do Jornal Extra de Pernambuco
Parabéns pela entrevista, Vânia.
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