quarta-feira, 16 de abril de 2014

NAC - Arte como forma de inclusão social

JORNAL EXTRA DE PERNAMBUCO

Núcleo de Ações Culturais da Fundação de Cultura leva oficinas de várias linguagens artísticas para mais de 40 comunidades. Objetivo é promover a formação cidadã e revelar talentos


“Sempre gostei de teatro. Antes, lá no Centro havia uma escola de teatro, mas não deu para eu ficar, pois ficaria muito longe. Agora que tem aqui na escola ficou muito mais fácil e muito mais legal”. É assim que se expressa a estudante Carla Marilene, 13, aluna do 9º ano na Escola Municipal Presidente Kennedy, que fica no Posto Agamenon. Ela é uma das estudantes que integra o Núcleo de Ações Culturais (NAC), projeto da Fundação de Cultura que leva oficinas de linguagens artísticas para comunidades do município de Caruaru, cujas ações têm foco na periferia.

Desde o mês de março, oficineiros estão visitando localidades para implementar esses ateliês. Inicialmente, estão disponíveis as oficinas de Teatro, Dança, Cineclube, Animação (desenho animado), além de exibições de cinema. Os trabalhos permanecerão até dezembro, quando pretende-se fazer uma grande mostra das produções desenvolvidas ao longo desse período. As aulas acontecem em ambientes de fácil acesso da população do lugar, como o prédio da associação dos moradores, escolas municipais ou até mesmo igrejas.
Mais de 40 comunidades já estão sendo contempladas pelo projeto, a exemplo do Alto do Moura, Sítio Cipó, Juá, Carapotós, Xicuru, Vila Andorinha, Rafael, Rendeiras, Cedro, Vassoural, Santa Rosa e Boa Vista I e II. Mesmo havendo número definido de inscrições, a depender da modalidade artística em pauta, a ideia é que a maior quantidade possível de pessoas da comunidade interaja com o projeto. Ademais, o leque de oficinas foi oferecido para que essas aulas ocorressem em vários horários, inclusive à noite, mediante as necessidades constatadas em cada local durante visitas técnicas realizadas no mês passado.

A oficineira de teatro Julliana Soares observa que a receptividade da população tem sido positiva. “Durante as aulas, outras formas de conhecimento, além do racional, são estimuladas, como a intuição e a sensibilidade. No caso do teatro, acredito que a prática da arte é o grande diferencial”, afirma, mencionando um dos princípios do ‘Teatro Pobre’ do polonês Jezry Grotowski, considerado um dos maiores pesquisadores sobre a natureza da arte do ator. Participando da coordenação das oficinas de teatro, o ator José Carlos ressalta que a sensibilidade artística produz frutos que perduram por toda a existência. “No teatro, nada é fim, tudo é recomeço, assim como a vida, que está em constante renovação. Portanto, nas aulas, existe uma vasta troca de experiências”, salienta.

Essa maneira de estimular a produção cultural configura-se em um amadurecimento nas políticas públicas, implementando-as como ação permanente, indo além da mera execução de eventos. Destarte, viabiliza-se a valorização das linguagens, contrapondo-se à possível estagnação de determinado setor.

O diretor de Ações Culturais da Fundação de Cultura, Dja Vasconcelos, destaca que o NAC possui um perfil de inclusão social. “Vamos a comunidades onde há problemáticas sociais e familiares. Portanto, mostramos aos alunos que há outros caminhos de vida, além de gerarmos público para consumir essas artes”, diz. Com isso, amplifica-se o entendimento acerca da inclusão social, relacionando-a com a formação cidadã e com o acesso a direitos humanos. “Estamos chegando a quase toda a cidade com alguma ação cultural permanente. As oficinas são semanais. Nossa proposta é ampliar essa ideia, com mais linguagens em mais espaços”, detalha Vasconcelos.

Os interessados em participar de alguma atividade devem procurar a associação dos moradores, a escola municipal ou a igreja da comunidade, onde estão as fichas de inscrição para as oficinas. Um banner será colocado na fachada dos locais para identificação.


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